Como estruturar seu Twitter para atualização profissional?

Não se deixe enganar pelas atualizações ao estilo “Tomando leite morno”, links para gatos tocando piano ou gente destilando mau humor (culpada!) – Ainda é possível encontrar muita coisa boa no Twitter e utilizá-lo como uma importante ferramenta de atualização profissional.

Estabeleci algumas diretrizes para remodelar minha conta, e a coisa tem ficado muito mais interessante – se você quiser fazer o mesmo, e aproveitar muito mais da ferramenta, aqui estão os passos principais.

Primeiro passo: escolha a área (ou áreas)

Seguir amigos é bom: dá aquela sensação de estar com eles sempre perto e estar por dentro do que acontece na vida deles etc… Mas não vai deixar você mais informado sobre o que acontece no seu mercado, na sua área de atuação ou na sua área de interesse – a menos que seus amigos sejam todos tops referência do mercado, antenados com o que há de mais novo e não caiam na tentação dos posts cotidianos (nesse caso, obrigado pela visita, mas esse post não é para você). Caso contrário, escolha as suas áreas que gostaria de manter-se sempre antenado. Eu escolhi:

  • E-learning/Ensino Online.
  • Internet.
  • Cinema.
  • Ilustração.

Para cada uma dessas áreas eu criei uma lista ou grupo dentro do Twitter, no qual vou cadastrando as pessoas referências em cada uma das áreas. Por exemplo, para e-learning e ensino online, encontrei uma fonte de referência muito boa sobre quem seguir (http://www.c4lpt.co.uk/connexions/wpl.html). Já nos demais temas, fui garimpando blogs sobre os assuntos que eu já costumava ler, profissionais referência de mercado ou veículos sobre o assunto – hoje em dia até o gato que toca piano tem uma conta no Twitter.

Nesse primeiro momento, preocupe-se com a quantidade de profissionais – mais tarde trataremos do item qualidade.

Segundo passo: expanda suas buscas por palavras-chave.

Dependendo do assunto do seu interesse, nem sempre é tão fácil encontrar referências no Twitter – porém, nada tema! Utilize a ferramenta de busca do Twitter para expandir suas buscas utilizando palavras-chave. Por exemplo:

Seu interesse é Design?! Que tal então buscar por palavras ou termos associados, como “Gráfico” “Web” “Industrial” etc? Se a busca do Twitter não for suficiente, visitar o Sr. Google com uma boa e velha busca ao estilo “profissionais de design no twitter” pode ser suficiente – pode ter certeza que diversas pessoas já se deram ao trabalho de agregar listas do mesmo tipo que você.

Dica: quando achar um profissional que admire, dê uma olhada nas listas ou grupos dele – você pode encontrar referências valiosas para seguir.

Terceiro passo: escolha suas ferramentas de apoio.

Atualização profissional via Twitter não pode (nem deve) ser sinônimo de ficar olhando sua timeline se atualizar 24 horas por dia. Se você for acompanhar todo link e atualização que receber com a mesma atenção, sua única profissão será se atualizar pelo Twitter.

Uma alternativa interessante que eu tenho utilizado é separar horários ao longo do dia (normalmente, períodos de 15 a 20 minutos, 02 a 03 vezes ao dia) para escanear visualmente a minha timeline. Nessas sessões, vou clicando em cada um dos links que aparecerem e abrindo em novas abas – se forem interessantes, são reservados em ferramentas de apoio (como o Instapaper – http://www.instapaper.comou Google Reader – http://www.google.com/reader) para leitura cuidadosa mais tarde. Se não forem interessantes, já são descartados imediatamente.

Outra opção é acompanhar uma lista/grupo por atualização – amigos, interesses etc. – de acordo com o tempo e o ânimo da hora.

Quarto passo: exclua o Mi-Mi-Mi

Não vou entrar no papo zen/esotérico de cristais, energias e afins – mas mesmo para quem não considera nada disso, é fato: gente reclamona suga a nossa vida. Depois de aproximadamente 02 semanas seguindo sua nova lista, você vai perceber que tem gente que apesar do destaque profissional não oferece muita coisa além da satisfação da sua curiosidade – portanto, não perca tempo com isso.

Se não for um amigo que ficará profundamente magoado com o seu abandono, diga adeus e vá embora! Seu tempo é curto, sua vida finita – não perca tempo com gente que não acrescenta, a menos que você seja masoquista profissional.

Quinto passo: mantenha os “indigestos”

Existe uma expressão em inglês, bem específica para esse caso: “Preaching to the choir”, ou “Pregando para o coro/congregação” – basicamente, tentar falar de fé aos fiéis. Todos nós temos essa tendência vez ou outra, quando escolhemos fontes de referência que reforçam a nossa forma de pensar e não nos oferecem nenhum tipo de contestação. Por mais que essa opção nos dê um sentido de “comunidade”, de “irmandade”; ela nem sempre é melhor política quando a ideia é nos aperfeiçoar.

Manter o “do contra” que lhe cai de maneira indigesta pode ser muito bom se você perceber que apesar da opinião sempre contrária a sua, ela é bem fundamentada e lhe faz considerar outros pontos de vista. Se por outro lado ela for indigesta por ser sempre sensasionalista e querer causar polêmica (o típico “Datena do Twitter”), considere que não passa de “Mi-Mi-Mi” e livre-se dele.

E não se esqueça: LET THE SUN SHINE IN!

Usar o Twitter para atualização profissional é um dos passos que irá ajudá-lo a manter-se antenado com o que acontece mas… Não se esqueça de compartilhar também o que encontrar. Ser fonte de informação é tão importante quanto recebê-la.

Gamification – bibliografia básica.

Parte das pesquisas e levantamentos realizados no trabalho, estou me aprofundando cada vez mais no conceito de “Gamification” ou, no processo de utilizar mecânicas e conceitos de jogos para envolver o público e resolver problemas. Gamification não quer dizer necessariamente a necessidade de desenvolver um jogo, mas de aplicar as características de tornam os jogos envolventes em produtos e serviços, ou como define Amy Jo Kim (http://www.slideshare.net/amyjokim) – “A Loyalty program on steroids”.

Existem três necessidades básicas que devem ser pensadas para criar um produto ou serviço dentro da lógica do Gamification:

  • Rewards (Recompensas) – que serve de feedback ao longo do caminho ou incentivo de participação.
  • Leaderboards (Status) – que servm como comparação entre seus pares.
  • Badges (Reputação) – que “certificam” os outros de sua especialização (como acontece nos fóruns de informática, ou nos rankings de torrents).

Pelas minhas pesquisas, uma boa forma de se aprofundar no assunto é através da bibliografia a seguir (que é focada mais no conceito de Gamification aplicada na aprendizagem/ensino):

  • MICHALKO, M. Thinkertoys: a handbook of creative-thinking techniques. [S.l.]: Ten Speed Press, 2006.
  • SCHELL, J. The Art of Game Design: a book of lenses. [S.l.]: Morgan Kaufmann, 2008.
  • PRENSKY, M. Digital Game-Based Learning. [S.l.]: McGraw-Hill Companies, 2000.
  • HEIPHETZ, A.; WOODILL, G. Training and Collaboration with Virtual Worlds: how to create cost-saving, efficient and engaging programs. [S.l.]: McGraw-Hill, 2009.
  • ALDRICH, C. Learning Online with Games, Simulations, and Virtual Worlds: strategies for online instruction. [S.l.]: John Wiley and Sons, 2009.
  • ZICHERMANN, G.; LINDER, J. Game-Based Marketing: inspire customer loyalty through rewards, challenges, and contests. [S.l.]: John Wiley and Sons, 2010.
  • KAPP, K. M. Gadgets, games, and gizmos for learning: tools and techniques for transferring know-how from boomers to gamers. [S.l.]: John Wiley and Sons, 2007.

Em breve vou criar páginas de bibliografia por assunto aqui no Blog.
Por hora, me contento (e me desespero) com o fato que a meta de leitura do ano fica cada vez maior.

Importante: não consegui encontrar nenhum livro nacional significativo – não estou dizendo que eles não existam, mas na verdade as pesquisas por “jogos” levavam sempre a livros sobre Teoria dos Jogos (do ponto de vista econômico) ou livros de informática para criação de jogos em Flash. Se alguém conhecer um autor/livro que já esteja trabalhando com a teoria em terras brasileiras, por favor, deixe sua contribuição muito apreciada aqui nos comentários.

Denis Dutton: Uma teoria Darwiniana da beleza

Tudo bem – eu sou uma fã sem salvação das TED Talks… Poderia passar um bom tempo só assistindo TED mas, realmente recomendo o vídeo a seguir. Cheguei a esse vídeo pelas notícias de falecimento do Professor Denis Dutton, e o título me assustou um pouco – comecei a pensar “Ah, lá vai mais uma daquelas teorias que escolhemos nossos parceiros com base na beleza e com isso ajudamos na seleção natural” – mas não é bem isso. Na verdade, o Professor se esforça em mostrar que os conceitos “A beleza está nos olhos de quem vê”, ou “A beleza é condicionada por nossa cultura” não refletem exatamente a realidade.

Vale a pena assistir!

Bons Cursos, gratuítos e online – ALISON.COM

Começo de ano trás sempre a esperança de aperfeiçoamento pessoal e profissional. Que tal então aproveitar esse início de ano para fazer alguns bons cursos gratuítos, oferecidos online diretamente da Irlanda. No site “ALISON” você pode fazer diversos cursos, basta saber inglês.

Entre as principais categorias estão:

  • Digital Literacy & IT Skills
  • Diploma Courses (Cursos livres que atestam sua proficiência e oferecem diplomas)
  • Business and Enterprise Skills
  • Financial & Economic Literacy
  • Health & Safety & Compliance
  • Health & Safety (Irish Legislation Only)
  • Health Literacy
  • English Language Skills
  • Personal Development & Soft Skills
  • Schools Curriculum

Para saber mais, visite a página de cursos do site, e faça o seu cadastro.

Qualidade, Função e Valor do Desenho Industrial

Parte dos textos base da matéria “Design, Programação Visual e Infografia“, da especialização em Jornalismo Multimídia da PUC-SP, o capítulo do livro “Projeto e Destino” compartilhado abaixo fala sobre as relações entre a função dos objetos e suas qualidades estéticas; seriam mesmo questões separadas?

Terror  dos alunos de Artes Plásticas por conta de seus “pequenos” livros de História da Arte, Argan não é para os fracos. Que o diga o primeiro parágrafo deste texto, com suas 38 linhas… Mesmo assim, leitura interessante! Especialmente para os apóstolos da “Função, Função, Função” do Design.

ARGAN – Qualidade, Função e Valor do Desenho Industrial

Por que e como continuar? Uma ladainha eterna.



blank notebooks | dec 2008, upload feito originalmente por p.w..

Mais de um ano sem postar nada por aqui.
Existem diversas coisas na vida para a qual você pode apresentar uma série de desculpas mas… Essa definitivamente não é uma delas.

Além da falta de tempo, tão comum a qualquer pessoa que exerça qualquer atividade profissional pensando no salário no mês seguinte que não vale a pena nem comentar, existe a crise de “finalidade”, que foi um dos principais motivos que sempre atrofiou o nascimento e a continuação desse blog.

Por exemplo: qual a contribuição e significado que esse local poderia dar a qualquer pessoa que passe por aqui? E por mais que eu pense – e olha que eu pensei muito – chego a conclusão que dificilmente eu poderia dar qualquer contribuição significativa a formação, instrução ou curiosidade de qualquer pessoa… Muitas variáveis desconhecidas e não saberia atribuir um valor real a isso.

Então eu optei por ser egoísta. Seguindo o planejamento pensado em uma aula que eu bombei na pós – resultado dessa coisas de vender a própria satisfação por conta dos trocados no mês seguinte – eu vou direcionar esse blog para um único leitor. Um leitor que eu possa agradar (ou não), mas que tenha aproveitamento direto do que eu escrevo por aqui: EU.

Esse blog passou a ser o meu “Caderno de Estudo” público – se algo do que eu escrever aqui servir de base para alguém, ótimo. Caso contrário, espero que sirva apenas para eu documentar meu progresso e meus impasses, ter um acompanhamento público e constrangedor do que eu ando ou não ando fazendo para me desenvolver e servir de “caderno de recortes do que eu vejo no caminho”.

Se você ainda se interessar em visitar por aqui, visite como quem tem a possibilidade de bisbilhotar as anotações alheias por simples curiosidade. Não espere coisas pensadas para agradar, ou coisas pensadas para seguir alguma linha editorial diferente do que o meu bel prazer.

Cheguei a conclusão que é impossível oferecer significado se você ainda não o encontrou.

Roteiros Hipermídia para a Criação de Treinamentos Online (e-learning)

Hoje disponibilizei no “Slide Share” a minha apresentação sobre Roteiros Hipermídia realizada nesse sábado, na PUC-SP.

Relacionada com Jornalismo, e relacionada com Design Instrucional, a idéia da apresentação é mostrar que os métodos existentes para a comunicação online multimídia (sejam eles vindos do jornalismo, da publicidade etc.) são extremamente efetivos para a criação de um método prático de produção de conteúdo para treinamentos, instruções e geração de conhecimento.

Qualquer simplificação, me desculpem que esse é o trabalho de uma madrugada, de uma profissional da área que não acredita em termos como “pedagogia” e “educomunicação”…

Mas isso é assunto pra outro post!

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OS TRÊS NÍVEIS DO DESIGN INSTRUCIONAL: CONTEÚDO, TEXTO E IMAGEM.

E-learning

Attribution License CC by Sarah M Stewart

A abordagem que considero nesse texto é extremamente pessoal, e está muito mais ligada a prática do dia-a-dia do que com qualquer teoria sobre Design Instrucional que você pode facilmente pesquisar por aí. Mais do que ajudar profissionais da área, a idéia aqui é ajudar o pessoal que contrata o Design Instrucional; que muitas vezes não compreende o processo de trabalho que culmina muitas vezes em um StoryBoard ou um Roteiro de Treinamento . Um pouco de clareza sobre o processo pode ajudar as duas partes a trabalharem de maneira mais prática – e sem dúvida com muito menos estresse.

CONTEÚDO, ou a Arqueologia empresarial.

Muito antes que o primeiro parágrafo de texto seja escrito, ou o primeiro slide de StoryBoard seja montado, existe o que eu gosto de chamar de “arqueologia empresarial“. Grande parte das empresas sabe que o que possui de mais importante em conhecimento está na cabeça dos responsáveis por cada função – e na maioria das vezes esse é um dos motivos que as leva a idéia de fazer o treinamento; mas no momento da criação de um treinamento online, essa questão fica absolutamente explícita.

Nesse momento vale tudo para tentar capturar o conhecimento tácito presente. Entrevistas com o profissional especialista, apostilas e vídeos de antigos treinamentos, slides de apresentações, pesquisa em fontes relacionadas ao tema (sites, revistas e livros). Num primeiro momento, averiguamos a quantidade de assunto e a profundidade que podemos chegar. Só num segundo momento, iremos “aparar as arestas” diante da elaboração de um escopo do treinamento, relacionados aos objetivos que pretendemos cumprir.

Nessa fase, o designer instrucional:

  • Coleta os materiais disponíveis.
  • Entrevista os especialistas envolvidos.
  • Elabora o plano de treinamento, semelhante a um briefing do curso, contemplando público-alvo, cenário, abordagem e ementa do curso.

TEXTO, falando a língua correta.

Fazer treinamento online não é colocar arquivos de PowerPoint, Word e PDF’s online para serem baixados. Pelo menos, não é só isso. Na hora do texto, chega a hora de contar a história adequada ao público correto; de acordo com as suas características de compreensão e acesso – não existem “fórmulas mágicas”.

Pensamos no texto como ferramenta para ligar os pontos. Avaliamos o volume de informação adequado ao público; por exemplo: advogados, médicos e representantes de outras profissões que lidam diariamente com grandes volumes de texto gostam de mais profundidade textual, detalhes e uma formaobjetiva de encontrar o que procuram. Com esses usuários você pode ser mais extenso – é o que eles esperam inclusive – mas já não são o público adequado para desenvolver metáforas, histórinhas, animações e sons. Eles sabem o que querem obter do treinamento, e o principal objetivo é: chegar logo ao ponto.

Em outros casos, a consideração é exatamente oposta. “Se eu quisesse ler apenas, comprava um livro”, é uma afirmação recorrente. Para esses usuários, a sua preocupação é encontrar uma maneira lúdica, interessante e chamativa de exibir o conteúdo.O texto que será escrito terá que atender a essas necessidades, sendo sucinto e criativo, sem perder de vista os objetivos do treinamento.

Nessa fase, o designer instrucional:

  • Elabora o roteiro do treinamento, verificando quanto texto será preciso para comunicar os principais pontos necessários ao treinamento.
  • Elabora as tarefas, testes e avaliações.
  • Fecha a estrutura do treinamento.

IMAGEM, porque um rostinho bonito não é tudo, mas é boa parte.

Alcançamos um estado de desenvolvimento técnico muito significativo. Se a capacidade da banda larga brasileira não é muita comparada as possibilidades internacionais, já permitiu a popularização de itens que eram impensáveis há anos atrás como: assistir vídeos, escutar rádios online, participar devideo-conferências, baixar podcasts e videocasts.

Tudo isso provoca expectativas altas em relação ao conteúdo produzido para treinamento. Se você pode ver um vídeo de maneira fácil e rápida no youtube, porque não pode fazer mesmo no seu treinamento? Some a isso as discussões sobre afirmações como “as pessoas não leem mais” e temos boa parte das principais questões levantadas sobre a importância da imagem em treinamentos.

Cabe ao Designer Instrucional separar e orientar, nesse mar de opções, como deve ser ilustrado o conteúdo do curso – seja isso realizado com uma imagem, uma ilustração ou um vídeo do YouTube. Mesmo que a execução final e operacionalização disso não sejam de sua responsabilidade.

Nessa fase, o designer instrucional:

  • Elabora o o StoryBoard do treinamento, exemplificando como o conteúdo elaborado anteriormente será apresentado.
  • Define o nível de interações e a usabilidade do conteúdo.
  • Zela pela estética do curso, sem que ela prejudique o aprendizado.

AS TRÊS FASES DO PLANEJAMENTO DE UMA PEÇA GRÁFICA

at any season...Tudo que eu aprendi sobre design, aprendi no curso de… edificações. Sim, depois disso eu fiz Publicidade e Propaganda e Design Gráfico – mas no final das contas, os dois cursos só validaram o que eu havia aprendido no primeiro. Você quer saber se eu recomendo para quem quiser trabalhar na área de design o curso de Edificações? Claro que não! Todos alunos de edificações aprenderam o mesmo? Claro que não!

Se você olhar a superfície – e sejamos sinceros, a maioria das pessoas não consegue olhar além do que está diante dos seus olhos – não existe nenhuma semelhança entre edificações e design gráfico. Mas se você olhar a estrutura, aí sim verá que os dois trabalham sobre a mesma base – e essa base pode ser dividida em três grandes momentos:

01. Planta.
02. Estrutura.
03. Acabamento.

O maior sofrimento para quem está começando na área de design gráfico ou web-design é perceber a existência desses dois momentos iniciais (planta e estrutura). A maioria se preocupa com o “acabamento”, e por não destinar muito tempo – ou às vezes nenhum tempo – às fases anteriores, não entende porquê o acabamento que elas esperavam não é o que elas conseguiram…

Mas pausa por um momento: se você é uma daquelas pessoas abençoadas que já cresceram na frente de um computador, abrindo o photoshop e deslumbrando pessoas… Parabéns! Muita sorte e se divirta. No entanto, esse post é para as demais pessoas: para aquelas que olham o layout de um folder, um site ou o que for e sabem que alguma coisa não está muito bem… Mas não conseguem dizer exatamente o quê!

Vamos ver passo a passo:

01. Planta: O que é, para quem é, como deve ser etc… os nosso velhos 05W02H…

A sigla 05W02H é a pergunta para qual a resposta é 42! Se você não entendeu a referência, só indica que temos muito mais pela frente, mas vamos lá. A sigla 05W02H vêm do inglês (What, Where, When, Why, Who, How e How much) se referindo nesse caso a:

  • O que?
  • Onde?
  • Quando?
  • Por quê?
  • Para quem?
  • Como?
  • E por quanto?

Não importa se você vai desenvolver o novo site da IBM, um folder de pizzaria ou uma peça de escola: se você não sabe responder cada uma das questões acima, você não sabe o suficiente para começar a pensar no seu trabalho. Então antes de sentar de frente pro Photoshop, Illustrator, CorelDraw ou mimeógrafo, sente é com uma folha de papel na mão e responda as questões acima. Ou você acha que existe algum engenheiro ou arquiteto que começaria a contratar betoneiras, pedir material e levantas paredes antes de saber se vai construir uma casa, um prédio de apartamentos ou uma churrasqueira? Se qualquer um desses vai ser na cidade, no campo ou na praia? Se deve ficar pronto em um mês ou cinco anos? Se o cliente quer gastar mil reais ou um milhão? Acho que não… E profissionalmente, você também não deveria – estando ainda na escola ou já no mercado de trabalho.

02. Estrutura: o seu chapéu tem 03 pontas???

Minha avó costumava cantarolar algo parecido com isso quando queria nos fazer rir “O meu chapéu tem 03 pontas, tem 03 pontas o meu chapéu, se não tivesse três pontas, não seria o meu chapéu” – Os seus layouts também têm três pontas? Ou melhor, eles têm mais a sua cara do que a cara do cliente ou do que deveriam parecer? Então provavelmente você está esquecendo a fase de “planejamento de estrutrura“. No caso de uma construção, seria entender que você não coloca o telhado na casa, antes de ter feito as fundações. No caso do design é o momento das referências, e da maneira correta de utilizá-las.

Utilizar referências não é plagiar trabalhos: é entender estruturas, ou melhor, é a maneira mais rápida de assimilar estruturas. Com tempo, prática e estudo você entenderá mais a fundo as questões que estão por trás das estruturas. No começo, a melhor forma de entender como se faz uma coisa, é ver como os outros fazem essa mesma coisa. Vai fazer um layout de site? Veja como são os outros sites dos concorrentes, de empresas semelhantes, de empresas grandes e pequenas. Nesse primeiro momento, escolha o que lhe parecer melhor – e não tenha medo: quanto mais prática você tiver, mais vai perceber a cada novo trabalho que tinha muito mau gosto no anterior – é absolutamente normal. Caso contrário, ou é um daqueles abençoados lá de cima – e eu já tinha avisado que este post não era pra você – ou não está produzindo como deveria.

Ainda no caso do site, depois de muito observar, você vai perceber: diferentes backgrounds, topos (headings ou cabeçalhos), rodapés, imagens, menus de navegação etc. Ou seja, se observar bem, perceberá todos os elementos que devem ser pensados em sua peça. Um pouco mais de prática e poderá entender a relação entre eles. Com essa observação, seus layouts poderão deixar de ser uma fotografia chapada do que você “pensa ser” tal peça, e passarão a ser produções no mínimo mais antenadas com o que está sendo feito no mercado – bom ou não, dependerá da sua bagagem estética.

03. Acabamento: não confundir com maquiagem.

Eu sei que você estava ansioso por esse momento, então tudo bem: pode sentar de frente para o computador – embora pessoalmente eu prefira ainda rabiscar numa folha de sulfite antes de tudo.

Se o seu levantamento nas duas fases anteriores foi proveitoso, agora você já está com uma idéia mais clara de como deve ser sua peça. Com isso em mente, você pode parar para pensar em itens como:

  • Que programa vai utilizar (baseado em “que fim” terá a peça).
  • O grid, ou a diagramação da peça.
  • Cores.
  • Tipografia.
  • Etc.

Existe muito, muito, muito material sobre essa fase. Espero que num futuro próximo eu possa cobrir um pouco sobre ela, ou pelo menos oferecer referências significantes.

Termo de garantia: a importância disso tudo.

Adotar essa estrutura de planejamento para uma peça gráfica ou web não o livrará de momentos “ah, mas e se colocarmos isso tudo numa ‘comic sans‘ amarela com o fundo verde limão” – infelizmente. Mas é um passo para uma boa briga, ao profissionalizar o seu trabalho.

Quando eu trabalho em alguma função relacionada a redação, eu realizo muito menos refações. E não é porque eu trabalhe melhor em uma coisa do que na outra – espero que não. Pelo que posso perceber, quando falamos de texto, estamos falando de língua: uma estrutura cheia de regras e “bons costumes”. Já ganhei muitas discussões puxando a carta da “norma culta da língua” mesmo quando ela não se aplicava. Mas com relação a produção escrita, ainda existe um último suspiro de “autoridade” com quem mexe com ela – talvez porque tantas pessoas se apavorem na hora de escrever um parágrafo…

Com a produção visual, infelizmente, não é assim – e a situação não tende a melhorar. As super-máquinas digitais de 500 reais transformaram todos em fotógrafos, e o fácil acesso a programas gráficos tornou todos designers. Seu cliente não sabe o que está envolvido em criar uma peça, do ponto de vista dele, você é uma pessoa com um pouco mais de “bom gosto” que sabe mexer em programas gráficos – e que no final das contas só se diferencia dele por isso mesmo.

Por isso, para o bem estar de todos: não seja um sobrinho. Profissionalize-se e mostre que seu trabalho não brotou simplesmente: ele é resultado de esforço inteligente na solução de um problema.

“ENTÃO, VOCÊ TEM UM COREL DRAW…”

Se você já teve qualquer contato com o mundo do Design Gráfico e do Web Design, sabe que há uma verdadeira guerra entre fãs de Corel Draw (programa de ilustração da canadense Corel) e fãs do Illustrator (programa de ilustração da americana Adobe). Existem defensores acalorados, de ambos os lados, defendendo a utilização de um ou de outro software, muitas vezes, ligando o software que você utiliza com o potencial que você pode ter, “Corel é para amadores, Illustrator é para profissionais”.

Existe um volume da Coleção Info da Editora Abril, discutindo em profundidade as principais diferenças entre o Corel e o Illustrator – e para surpresa dos mais acalorados, quando a questão é custo x benefício, a equipe da Info considera que o Corel Draw leva a melhor. Se você não acredita, compre a sua edição e confira (não estou recebendo nada da Abril para isso, mas a edição é realmente boa).

Mas será que é só isso? Você coloca o software mais profissional no seu computador e de repente se torna um ótimo profissional???

Diretamente do Freelance Switch

 

Não precisa arriscar muito para dizer um simples NÃO.

Assim como todas as atividades bem executadas, uma série de fatores entra na formação de um produto/serviço de qualidade. Quando falamos em Design, a situação fica um pouco mais complicada. Existem muitos clientes que encaram a produto de um Design como fruto apenas e inspiração e gosto. É difícil lidar com eles… Mas é mais difícil lidar com os profissionais que perpetuam essa idéia, pois não sabem mostrar aos clientes os passos envolvidos no desenvolvimento daquela peça – ou pior, que não executam esses passos e fornecem mesmo algo que é fruto exclusivo do acaso.

Nesse post, e em posts futuros, em todos os assuntos, existe um conceito fundamental que eu gostaria de repassar várias vezes em diversos conceitos:

05W01H

Aqueles que estiverem familiarizados com a criação de textos jornalísticos, ou o planejamento de ações poderão conhecê-lo com outro nome. Eu prefiro 05W01H porque consigo relacionar melhor com a sua origem:

  • What -> O quê?
  • Where -> Onde?
  • Why -> Por quê?
  • When – Quando?
  • Who – Quem?
  • How – Como?

Você ainda não está vendo como esse conceito se aplica a uma visão básica de conceito em Design? Então vamos em frente…

Com essas 06 perguntinhas, você pode saber tudo o que é preciso saber sobre o seu trabalho. Para ser sincera, você nem deveria começa-lo se alguma dessas perguntas ainda for uma incógnita – ou até pode fazê-lo se gostar bastante de retrabalho ou refação.

Veja só:

  • O quê?

    • Parece óbvio, mas não é. Seja você designer ou não, é muito fácil ouvir o pedido “Eu queria que você fizesse algo para divulgar a minha marca”. Nessa, um publicitário pensa em uma campanha, o designer em uma nova papelaria, o jornalista em um press release… E quando o cliente volta, ele estava mesmo pensando em uma faixa de promoção no meio de uma avenida. Antes de começar qualquer coisa e desperdição hora valiosas do seu tempo, tenha certeza do que deve ser feito… Nem que esse “o quê fazer?” seja “03 propostas diferentes para a divulgação de uma marca”.
  • Onde?

    • Onde seu trabalho será veiculado? Você está planejando um jornalzinho da igreja? Ou um flyer que irá por e-mail? Entenda que esse “onde” irá impactar em muito na sua produção. Se o destino do seu trabalho será uma reprodução via xerox, não faz muito sentido desenvolver tudo em cores não é mesmo? Idéia oposta vale para o flyer: se você não tem custo de impressão, sua preocupação passa a ser apenas o peso do arquivo que será enviado.
  • Por quê?

    • Saber o porquê da peça é fundamental. Você já deve ter visto vários folhetos de divulgação “compre agora mesmo” em que o endereço e telefone da loja aparece minúsculo em um canto, ou até mesmo alguns em que ele nem aparece. Saber o que motivou a criação desse trabalho é fundamental para executá-lo de acordo com o objetivo – ou mesmo criar novas soluções mais adequadas.
  • Quando?

    • Aqui, você pode encarar sob dois aspectos: quando seu trabalho será divulgado, e quando seu trabalho deverá ser entregue por você. Você, melhor do que ninguém, deve conhecer a sua capacidade produtiva. Se você tem uma semana para fazer um site, talvez não seja a melhor hora de aplicar aquela programação em Ajax que você acabou de aprender. Talvez seja melhor para você e para o seu cliente se você simplesmente se ativer aquilo que faz bem, e caso sobre tempo, lapidar um pouco mais o trabalho.
  • Quem?

    • Encare essa pergunta sempre em três níveis:
      • Quem fará a aprovação?
      • A quem a peça se dirige (seu público-alvo)?
      • Quem trabalhará junto a você.
    • Ter em mente esses três níveis, ajuda porque se você sabe quem vai aprovar definitivamente seu trabalho, sabe exatamente quais opiniões devem ser levadas mais em consideração. Se você sabe a quem sua peça se dirige, trabalha a linguagem mais adequada a esse público. Se você sabe quem trabalhará junto a você, sabe o apoio (ou os obstáculos) com que pode contar.
  • Como?

    • Em textos futuros eu pretendo aprofundar essa questão, mas o como aqui, entra como um passo a passo do que deve ser feito. Esse passo a passo não requer mais do que uma folha de sulfite na qual você planeja todas as etapas necessárias para executar sua tarefa. Esses passos servem como checklist da execução, para garantir que você não se perca no caminho.

Saber tudo isso, sobre qualquer trabalho que você pretenda executar, é de longe mais importante do que o software que você irá utilizar. Quer um exemplo? Tenho uma formação técnica em edificações, por lei, posso projetar e me responsabilizar por residências até 80m². Recentemente, tive que fazer um layout para meu novo escritório, que ficou assim:

Layout Sala

Fiz no AutoCAD? Fiz no Microsoft Visio? Algum programa de layout específico?
Não… Fiz no PowerPoint… Por quê? Por que várias pessoas queriam brincar com a disposição dos móveis. Quem, fora um profissional da área, teria o AutoCAD instalado em sua máquina? Mesmo que tivesse, qual a possibilidade de saber mexer com ele? O Visio, apesar de mais acessível, não está na maioria dos pacotes Office comprados no mercado. Sendo assim, optei por um programa que pudesse me dar a escala necessária, e com o qual a maioria das pessoas estivesse mais familiarizada com o funcionamento.

Haverá um momento em que trabalhar com o programa mais adequado fará uma completa diferença. Mas se você, no momento, não sabe qual é essa exata diferença, há um grande risco que você esteja utilizando uma metralhadora para matar mosquitos.

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